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Jardins mediterrânicos: arquitetura paisagística sustentável em Portugall
Descubra o que são os jardins mediterrânicos e porque são uma das soluções mais sustentáveis para projetos de arquitetura paisagística em Portugal.
08/06/2022

Jardins mediterrânicos: uma solução sustentável para a arquitetura paisagística em Portugal
A arquitetura paisagística desempenha um papel cada vez mais importante na criação de espaços exteriores sustentáveis, funcionais e integrados no ambiente envolvente. Para além da componente estética, o paisagismo contemporâneo procura estabelecer uma relação equilibrada entre a construção, a natureza e os recursos disponíveis, reduzindo o impacto ambiental e promovendo uma utilização mais eficiente da água e da energia.
Neste contexto, os jardins mediterrânicos assumem uma relevância especial. Adaptados às características climáticas dos países da bacia do Mediterrâneo, constituem uma das soluções mais sustentáveis para projetos de arquitetura paisagística em Portugal.
O que são jardins mediterrânicos?
Os jardins mediterrânicos são espaços verdes concebidos com base em espécies vegetais adaptadas ao clima mediterrânico, caracterizado por invernos suaves e chuvosos e verões quentes e secos.
Portugal, tal como Espanha, sul de França, Itália e Grécia, beneficia deste tipo de clima, o que torna estas espécies particularmente adequadas às condições naturais do território.
Ao contrário de jardins que dependem de regas intensivas ou de manutenção frequente, os jardins mediterrânicos privilegiam plantas resistentes à seca, bem adaptadas aos ciclos naturais da região e capazes de prosperar com menor consumo de recursos.
Para além do seu valor ecológico, estas espécies fazem parte do património natural e cultural do sul da Europa, contribuindo para a preservação da identidade paisagística dos territórios onde se inserem.
Porque os jardins mediterrânicos são uma solução sustentável
A sustentabilidade é uma das principais vantagens dos jardins mediterrânicos. A utilização de espécies autóctones ou adaptadas ao clima local permite reduzir significativamente as necessidades de rega, fertilização e manutenção.
Num contexto em que a gestão eficiente da água é cada vez mais importante, especialmente em regiões sujeitas a períodos prolongados de seca, este tipo de jardim apresenta benefícios claros tanto do ponto de vista ambiental como económico.
Além disso, a menor necessidade de intervenção contribui para reduzir consumos energéticos associados à manutenção dos espaços exteriores, tornando os jardins mediterrânicos uma opção particularmente adequada para projetos residenciais, turísticos e de reabilitação urbana.
Arquitetura paisagística e integração com o território
Um dos princípios fundamentais da arquitetura paisagística sustentável passa pela integração harmoniosa dos espaços exteriores no ambiente envolvente.
Os jardins mediterrânicos permitem criar paisagens que respeitam as características naturais do local, valorizando a topografia, a vegetação existente e os recursos disponíveis. Esta abordagem contribui para criar espaços mais equilibrados, resilientes e preparados para enfrentar os desafios ambientais do futuro.
Foi precisamente esta visão que inspirou o trabalho de Gonçalo Ribeiro Telles, uma das figuras mais influentes da arquitetura paisagista em Portugal. Defensor da valorização da paisagem mediterrânica e da utilização de espécies adaptadas ao território, o seu pensamento continua a influenciar muitos projetos contemporâneos.
Na Metathesis, estes princípios têm sido integrados em diversos projetos, procurando criar espaços exteriores que conciliem sustentabilidade, funcionalidade e qualidade estética.
Planear um jardim mediterrânico
A criação de um jardim mediterrânico exige uma análise cuidada das características do local e das necessidades específicas de cada projeto.
Antes da seleção das espécies vegetais, é importante compreender fatores como a exposição solar, a existência de zonas de sombra, a presença de áreas mais secas ou húmidas, a inclinação do terreno e os ventos predominantes.
A correta disposição das árvores, arbustos e restantes plantas é igualmente determinante para garantir o seu desenvolvimento saudável e o equilíbrio do conjunto paisagístico.
Um bom planeamento permite tirar o máximo partido das condições naturais do espaço, reduzir necessidades futuras de manutenção e criar ambientes exteriores mais confortáveis e duradouros.
O papel dos jardins mediterrânicos na arquitetura paisagística sustentável
À medida que a sustentabilidade ganha importância nos projetos de arquitetura e reabilitação urbana, os jardins mediterrânicos afirmam-se como uma das soluções mais adequadas para o contexto português.
A sua capacidade de otimizar recursos, reduzir consumos e valorizar a identidade local torna-os uma escolha natural para quem procura espaços exteriores mais sustentáveis e preparados para o futuro.
Mais do que uma tendência, representam uma forma de construir paisagens que respeitam o território, promovem a biodiversidade e contribuem para uma melhor relação entre o ambiente construído e a natureza.
A visão da Metathesis
Na Metathesis, acreditamos que a arquitetura paisagística deve ser pensada como parte integrante de cada projeto. Os espaços exteriores não são apenas um complemento da arquitetura; são elementos fundamentais para o conforto, a sustentabilidade e a valorização dos imóveis.
A integração de jardins mediterrânicos permite criar espaços mais eficientes, mais adaptados ao clima português e mais alinhados com uma visão responsável do desenvolvimento urbano.
Projetar com a natureza, e não contra ela, continua a ser um dos princípios essenciais para construir ambientes mais equilibrados e duradouros.
Influências dos jardins mediterrânicos e plantas utilizadas
Tons terracota, vasos de barro e combinação de diferentes plantas, caracterizam a identidade dos jardins Mediterrânicos.
A grande quantidade de luz, a escolha de materiais mais puros e o acabamento quase inexistente, marcam a arquitetura e decoração do estilo mediterrânico.
As cores que mais nos rementem para o universo mediterrâneo são o branco da cal, o castanho terracota e o azul.
Os materiais como a madeira, a pedra e o metal têm um papel de destaque.
Quanto às plantas utilizadas, as mais recorrentes são:
Arbustos e Árvores ornamentais
Os arbustos e as árvores ornamentais precisam de, no mínimo, uma rega semanal, sobretudo no Verão. Mas crescem bem em solos calcários, típicos desta região e têm um forte impacto decorativo.

Exemplos de árvore: Mimosa, árvore de seda, cercis (árvore do amor) e cerejeira ornamental / Exemplos de arbustos: Buxo e murta
Árvores de fruto
Existem algumas árvores de fruto que resistem bem aos períodos de seca, e que, por esse motivo, coadunam muito bem em jardins mediterrânicos, mesmo durante o Verão.

Exemplos: Oliveira, Macieira, Figueira, Romaneira e Amendoeira
Trepadeiras
As trepadeiras dão uma nova vida ao seu jardim, especialmente as que produzem flores de cores vivas.

Exemplos: Jasmim, glicínia e plumbago.
Flores
A cor das flores é essencial para dar vida a qualquer jardim e os mediterrânicos não são excepção.

Exemplos: Rosas, margaridas amarelas, hibisco siríaco, funcho do mar e gerânios.
Plantas aromáticas
Para além de muito fáceis de cultivar, as ervas aromáticas são fáceis de manter e conferem um aroma único ao seu jardim.

Exemplos: Alfazema, orégãos, rosmaninho, tomilho, manjericão, alecrim e hortelã.
Suculentas
Com diferentes morfologias e tonalidades, as suculentas são uma ótima forma de trazer vida e cor ao seu jardim.

Exemplos: Aloe vera, sedum, agave e aptenia.
A Inês Jardim é a arquiteta paisagística
responsável pelos projetos Metathesis
Os projetos Metathesis têm assinatura da Arquiteta Inês Jardim, uma figura incontornável na integração paisagística em Almada. O seu percurso não deixa margens para dúvidas.
Licenciada pelo Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, estagiou na Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, onde permaneceu durante três anos na área do património paisagístico português.
Especializou-se em Jardins Históricos e Paisagens Culturais na Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Madrid e concluiu o Mestrado em Recuperação e Construção do Património Construído, no Instituto Superior Técnico, em Lisboa.
É sócia nº 660 da Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas (APAP), desde 2005 tendo sido membro da Direcção (2012/2014).
A recuperação de jardins é um dos seus principais focos. É sócia fundadora da Associação Portuguesa dos Jardins Históricos (2003), da qual foi membro da Direcção durante seis anos e permanece no Conselho Consultivo. Integrou também a Comissão Nacional da Reserva Ecológica Nacional (2013/2015).