Reabilitar ou renovar?

Reabilitar ou renovar?

Nos últimos anos, têm sido inúmeros os projectos de reabilitação imobiliária que apareceram de forma generalizada de norte a sul do país em especial no centro das cidades. Mas será reabilitar a melhor solução?

Esses projetos de reabilitação são, na sua grande maioria de louvar. Contudo, infelizmente, um grande número de promotores levam muitas vezes a cargo operações de “reabilitação” quando, na realidade, são apenas uma lavagem de cara do imóvel. Apesar de deixarem o mesmo com um aspeto exterior apelativo, verdadeiramente, as patologias mantêm-se. Na realidade, o edifício pode não oferecer condições de segurança para os seus futuros moradores. Estruturalmente, ele pode não ter sido alvo de qualquer intervenção e as operações de verdadeira reabilitação não terem sido feitas.

Um exemplo dessa infeliz realidade é o uso frequente de materiais com características incompatíveis com a estrutura já débil do edifício. Isto pode tornar esse imóvel uma verdadeira bomba relógio.

Efetivamente, falar de reabilitação de forma séria é fazer uma análise sistematizada, estrutural e profunda ao edifício. É ponderar entre a reabilitação ou uma operação de renovação imobiliária que deve passar, no caso desse edifício não oferecer condições de segurança, pela sua demolição e nova construção.

Gerir o imobiliário de uma cidade, com dignidade, nem sempre passa pela reabilitação.  Com a pressão imobiliária dos anos 80, as cidades sofreram grandes alterações e muitas das operações imobiliárias foram verdadeiros atentados à cidade.

Porquê considerar a renovação?

Reabilitar esses edifícios pode ser mais prejudicial à cidade do que pensamos. Devemos por vezes aproveitar a chegada ao termo de vida útil desses imóveis para proceder à sua demolição e dar lugar a edifícios mais sustentáveis quer do ponto de vista dos materiais utilizados quer do ponto de vista da gestão das energias.

Renovar a cidade é pensar nas pessoas.

Gerir o espaço da cidade é criar condições para receber de forma digna as famílias.

Assim, não devemos optar de forma cega e a todo o custo pela reabilitação mas fazer um verdadeiro exercício de ponderação entre a reabilitação ou a renovação.

Reabilitar ou renovar não devem ser antónimos mas opções com um objectivo comum: melhorar a cidade. Receber no regaço da cidade famílias que trabalhem, passeiem, façam compras, se divirtam e possam regressar ao final do dia às suas habitações seguras, eficientes e confortáveis.

Na Metathesis, pondera-se cada projecto. Avaliamos a possibilidade de reabilita o edifício ou, pelo contrário, proceder a uma operação de renovação imobiliária. Afinal de contas, acreditamos que seja essa a obrigação de um promotor imobiliário com responsabilidade social.